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  • Lembremos que Cort zar foi um grande admirador da Revolu

    2019-04-29

    Lembremos que Cortázar foi um grande admirador da Revolução Sandinista, atuando junto aos revolucionários no campo cultural, quando, por exemplo, ajudou A-1210477 fundar o primeiro Museo de Arte Contemporáneo no país e participou do processo de alfabetização da população local. Segundo Adriane Vidal Costa, o escritor argentino apoiou intensamente a revolução na Nicarágua por acreditar que o processo revolucionário naquele país aproximava-se daquilo que ele tanto idealizou para as sociedades da América Latina. Por isso, “Cortázar assinalou que iria quantas vezes fosse preciso à Nicarágua para participar de diálogos e reuniões, e ajudar no que fosse possível no plano da cultura”. O tema da cultura na Nicarágua esteve presente também em outro artigo publicado em Araucaria de Chile, em 1986, escrito pelo professor e crítico chileno Pedro Bravo-Elizondo. Confluindo para a ideia de Julio Cortázar, Bravo-Elizondo ressaltou que, com o triunfo da revolução, artistas formaram associações para proteger seus interesses e os do povo, difundindo os novos valores sandinistas. Segundo o autor chileno, a Asociación Sandinista de Trabajadores de la Cultura, criada em 1980, encarregava-se de resgatar os elementos da cultura popular nicaraguense: a dança, a música, a tradição oral, a comida e os artesanatos. A associação deveria estimular a os jovens a participar de algum ramo artístico, divulgando posteriormente seus trabalhos para suas comunidades de origem. Assim como em relação a Cuba, os editores da revista Araucaria de Chile retomaram personagens históricos de modo a compor as representações sobre a Nicarágua revolucionária. Novamente, um poema do comunista Pablo Neruda foi publicado postumamente na revista, desta vez feito em homenagem a Augusto César Sandino, líder da rebelião armada contra a presença militar dos Estados Unidos na Nicarágua, entre as décadas de 1920 e 1930. Nas palavras do poeta chileno: Percebemos neste poema, intitulado Sandino, que Pablo Neruda estabeleceu severas críticas à política imperialista dos Estados Unidos concernente aos países da América Latina e do Caribe. O poeta glorificou a figura mítica de Sandino, realçando sua condição de símbolo da resistência popular à dominação norte-americana. Torna-se necessário destacar que esse poema foi publicado em Araucaria de Chile em 1979, no quarto trimestre, poucos meses após os acontecimentos que levaram ao poder os revolucionários da fsln. Precisamente a respeito da atuação dos Estados Unidos sobre a Nicarágua, durante a década de 1980, esteve a discussão de Mario Benedetti, publicada em forma de artigo na revista Araucaria de Chile, número 24, no quarto trimestre de 1983. O intelectual uruguaio, com certo grau de ironia, afirmou que o porfiado ritual de morte tem tido na Nicarágua três oficiantes fundamentais, quais sejam, os terremotos, a bronchioles dinastia Somoza e o poderoso vizinho do norte, sendo os dois últimos mais devastadores que os abalos sísmicos. Mario Benedetti se referia à cruenta ditadura da oligarquia Somoza, que governou a Nicarágua por mais de 40 anos, destituída do poder pela Revolução Sandinista, bem como aos Estados Unidos, que apoiaram, em muitos momentos, os Somoza, e manifestaram, no início da década de 1980, toda sua hostilidade e oposição ao governo da fsln. É importante destacar que os Estados Unidos financiaram as forças militares contrarrevolucionárias (contras), provocando conflitos armados, sobretudo no campo, entre os defensores da revolução e os contras, conflitos esses que somente se arrefeceram em 1987, por meio de acordos de paz. Mario Benedetti alertou, ainda, para uma possível invasão norte-americana na Nicarágua, que não seria a primeira, implicando, para o uruguaio, em uma ruptura com o que ele denominou de pluralismo democrático em curso no país. Em seu texto Defensa de Nicaragua, com um título que já evidenciava seu discurso favorável ao país revolucionário, Eduardo Galeano, em um sentido próximo ao texto de seu compatriota Benedetti, condenou o bloqueio comercial imposto aos sandinistas pelos Estados Unidos e por outros países alinhados à política norte-americana, enfatizando a crise econômica que enfrentava a população nicaraguense, em grande parte decorrente dessa condição de isolamento político-econômico. Galeano argumentou que a política externa tão severa ao povo da Nicarágua foi feita de modo a enfraquecer os avanços na educação, na saúde e na comunicação promovidos pela revolução, embora não isentasse totalmente o governo sandinista em relação aos problemas enfrentados pela população do país. Ao referir-se aos que se opunham ao regime da fsln, Eduardo Galeano defendeu que “los opositores honestos, que los hay, tendrían que reconocer, al menos, que en estos siete años”, desde a implantação do governo revolucionário, “la revolución sandinista ha hecho lo posible y lo imposible por echar las bases de justicia y soberanía necesarias para que la democracia no sea un castillo en el aire”, uma formalidade imposta em que reina a hipocrisia e na qual o povo nada tem e nada decide. Ele clamou para que países, especialmente os latino-americanos, prestassem “ayudas que amplíen los espacios de libertad de esta joven revolución acosada”.